Sérgio Laus, o homem de 150 pororocas

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Quantas ondas você já surfou na sua vida? Não sabe? Bem, se fizermos essa pergunta para Sérgio Laus, teremos uma resposta: mais de 150… Pororocas. Sim, 150 pororocas. Com ondas surfadas no Brasil, na Ásia e na Europa, o paranaense se tornou um expert em um dos fenômenos mais impressionantes da natureza. E com o conhecimento de causa de quem dedicou uma vida aos esportes aquáticos, Serginho pode falar sobre a preparação, a experiência e o que é necessário para surfar uma pororoca.

“Já realizei mais de 150 expedições para a Amazônia, nos estados do Maranhão, Pará e Amapá. Também já fui atrás de ondas em outros países. Surfei a Silver Dragon (China), a Seven Ghosts (Indonésia), a Mascaret (França), a Severn Bore (Inglaterra), a Turn Again (Alasca) e a Baan (Índia)”, destaca Laus. As ondas variam de tamanho, conforme o local. Podem chegar de meio metro até três metros de face, assim como podem ter de três minutos até mais de uma hora de duração. “A onda mais longa que peguei teve uma hora e dez minutos, com cerca de 23 quilômetros, no extinto Rio Araguari, no Amapá”, comenta.

Para qualquer surfista, uma onda com quilômetros de duração é um sonho. Mas para chegar a esse sonho, é necessário muita preparação. A rotina de Sérgio Laus envolve treinos funcionais e de força para as pernas, remadas de stand-up, sessões de skate e com board balance e treinos aeróbicos como natação, apnéia e mergulho. “Além do treino, é preciso ter equilíbrio físico e mental. Qualquer um que se joga em uma onda dessas tem que estar consciente de que está lidando com um fenômeno brutal da natureza, que se parece com um tsunami”.

A dúvida que pode estar na sua cabeça ainda é: como saber quando uma pororoca vai acontecer e se ela vai estar em condições de ser surfada? Para esclarecer essa dúvida, Serginho praticamente dá uma aula. As melhores condições para se pegar uma boa pororoca envolvem marés, a lua e até fenômenos naturais.

As boas ondas acontecem com a lua nova e a lua cheia, dependendo da variação e da amplitude das marés. Quanto maior for a maré, maior será a onda. Fenômenos como a Super Lua aumentam o volume e a pressão dos rios e dos mares, fazendo com que as ondas fiquem ainda mais fortes. “Os períodos próximos ao equinócio, quando o Sol, a Lua e Terra ficam alinhados, geram uma ação gravitacional maior da Lua na Terra. Com isso, as marés ficam mais fortes também”.

Sem contar a força da onda, existem dificuldades que devem ser superadas. Para começar, é preciso planejamento para uma boa logística, com conhecimento da área e de tudo que vai ser necessário. “Isso é essencial, pois cada local tem sua peculiaridade. No Brasil, temos jacarés, arraias, cobras e onças. Na Indonésia, temos crocodilos. Na China, temos margens concretadas. Na Índia, temos defuntos e esgotos. Enfim, você pode estar lá surfando e se deparar com qualquer uma dessas coisas, além de pedaços de pau, troncos e árvores inteiras, enquanto atrás de você quebram milhões de metros cúbicos de água de uma vez só”, destaca Laus.

A dica para garantir uma experiência com segurança é se cercar de uma equipe especializada. Também é possível começar por alguns locais mais tranquilos, como a França e a Inglaterra. Serginho organiza expedições para quem quer surfar a pororoca e para interessados em aperfeiçoar técnicas do SUP. E o surfista de mais de 150 pororocas finaliza apontando o desafio de quem quer tornar o sonho uma realidade. “O maior desafio é sair da zona de conforto e ter força de vontade para encarar qualquer tipo de situação. Qualquer um que estiver disposto a isso irá conhecer lugares alucinantes e aprenderá a viver com uma ligação ainda mais forte com o meio ambiente”.

Essa é a dica de quem surfou 150. Que tal você surfar a primeira?